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IMPRENSA

Perdeu Washington, perdeu Moscovo

Perdeu Washington, perdeu Moscovo

16.04.2026

Viktor Orbán exerceu o cargo de primeiro-ministro, na Hungria, durante 20 anos. Primeiro, entre 1998 e 2002, cumprindo apenas um mandato. Voltaria a assumir essas funções, depois de um interregno, desde 2010 até ao último domingo. A sua derrota estrondosa, com o Fidesz (nome do partido que lidera) a passar de 135 deputados para menos de metade, foi interpretada como um sinal positivo em várias capitais europeias. Não é para menos.

Ao longo do tempo, Orbán dedicou-se a bloquear sistematicamente as iniciativas da União Europeia. Umas vezes por discordância política, onde lhe reconheço legitimidade, mesmo que discorde da sua posição. Outras vezes – e o motivo cada vez mais frequente – por pura chantagem, como no veto ao apoio financeiro à Ucrânia, com o qual tentou comprar uma isenção das regras europeias para proteção da democracia. 

“Estado de Direito” não é um conceito vago ou académico. É um fundamento essencial para qualquer democracia, onde a razão nasce com a força da lei e não com a lei da força. Significa que o poder do Estado é utilizado para governar sem discriminação, sem manipulação das regras e sem atacar a liberdade dos demais. Na prática, significa aceitar que esse poder tem limites e que nos comprometemos a respeitá-los. 
Viktor Orbán não o fez. Sim, aceitou os resultados e comprometeu-se a abandonar o cargo, até porque a derrota esmagadora impedia uma contestação plausível. Mas tanto as “trituradoras de papel estão a funcionar”, como avisou Péter Magyar (o grande vencedor da noite eleitoral) numa alusão à destruição de provas da corrupção, como a conduta de Orbán enquanto Chefe de Governo ficará manchada por repetidas ações contra o Estado de Direito.

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